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Liberdade ou gratuidade?

Este é um post longo, com idéias desconexas! Melhorarei aos poucos.

Quando Richard Stallman (RMS) deu início ao movimento GNU is Not UNIX, por volta de 1984, muitos desenvolvedores chamaram o Santo IGNUcius, como também é conhecido RMS, de louco. Que o projeto era uma ideia que não daria certo. Bitolado! Barbudo! etc. Após alguns anos, o movimento do Software Livre chegou em lugares nunca imagináveis. No entanto, este post não trata do alcance do Software Livre, na verdade, filosofo minha experiência quando percebo a relação entre Software Livre e Software de “graça”. Inúmeras vezes escutei colegas ou usuários dizendo: Usa Linux (sorry stallman ;p), é de graça! Ou ainda, Porque tu não instala Linux aí, é tudo de graça.

No final de 1997 um colega mostrou na escola o notebook que ele havia recebido de sua mãe. Ele era usuário de Linux há mais tempo que pudera imaginar. Quando vi um Desktop com ícones bem arrendondados e tons de vermelho e azul por todo lugar, fiquei doido. Cara, o que é isso? Perguntei. Ele disse: Isso é Linux, RedHat. Em 1998 iniciara meu caso de amor e ódio com o sistema do pinguim.

Naquela época era muito complicado entender o funcionamento do sistema. Pelo menos pra mim, sem internet e dinheiro para comprar livros. Os comandos do MS-DOS eu sabia. Linha de comando era meu vício. Utilização dos comandos era muito massa: “ls -la” Fuck Yeah!. Fuçava por todo o sistema. Tudo era aberto, apesar de não saber C ou qualquer linguagem de programação. Fuçava para entender. “man” era meu pastor e a revista Geek era a minha favorita.

Minhas contribuições são bem tímidas! Em termos de código contribui muito pouco, acho que posso fazer muito mais. Fiz alguns fix, mandei e-mail pra cá e pra lá. Fiz fortes contribuições na Wiki do Debian BR, muita coisa eu traduzi ou ajudei. A página da FSFLA também recebeu algumas contribuições.

Sempre gostei do sistema do pinguim pela liberdade, isto é, poder estudar, modificar e distribuir livremente. Quando vejo as pessoas inserindo um modem 3G e o kernel carregando o módulo automaticamente, lembro: PQP! era complicado colocar os “winmodens” para funcionar. Quem tinha um modem USRobotics era rei. Ainda tenho um 14400 de lembrança. Essa molecada que usa Linux hoje não sabe o que é particionar o disco usando fdisk.

O mundo está mais veloz. De fato, fazer configurações na unha não é competitivo. Inserir o CD de instalação do Ubuntu/Debian/RedHat e fazer um next-next-next é bem melhor. As vezes me pergunto, será que esse cara está usando Linux porque ele gosta da liberdade ou da gratuidade? É notório que uma porção de Software Livre também possui uma versão gratuita.

Tenho pensado muito nisso. Acredito que hoje, em 2012, fazer manual de instalação de alguma coisa e publicar no TLDP, como se fazia antigamente, é ilusão. Modificar, estudar, distribuir? Será que as pessoas realmente estão preocupadas com isso? Se o Windows tivesse um preço mais acessível, tipo dois reais, será que as pessoas utilizariam Linux para reduzir seu TCO? Realmente não sei.

Posso estar verdadeiramente enganado, mas as pessoas não querem liberdade, querem gratuidade. Se o software libre tivesse o mesmo princípio de licenciamento que os software proprietário, as pessoas procurariam outras soluções gratuitas ou sem custo.

Quem se importa com liberdade? Apenas aquele bitolado do RMS!

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