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Não Manaus, eu não te odeio! Na verdade, são “eles”!

Atenção: se você é aquele típico amazonense que odeia quando as pessoas de fora falam absurdos ou até mesmo verdades sobre Manaus, que xingam o cidadão pelo direito, garantido na constituição, de expressar sua opinião ou gosta de trollar por trollar. Bem, este post também serve para você.

Sou amazonense, filho de amazonenses, criado, educado e crescido na nossa linda Manaós. Infelizmente, a educação no Brasil não segue uma linha horizontal, isso quer dizer, muitos conhecem a história do Brasil, sabem das revoluções que aconteceram no sudeste/sul do país, no entanto, desconhecem totalmente a história do norte do país, em especial a região amazônica. E o mais triste, “eles”, ainda tem coragem de tirar do currículo regional as disciplinas de Geografia do Amazonas e História do Amazonas.

Aos desconhecedores da região este post tenta trazer fundamentação teórica para explicar porque eu não odeio Manaus, na verdade, são “eles”.

Paris dos Trópicos (1870-1920)
Manaus foi uma das primeiras cidades do Brasil a ter energia elétrica. Tanto que, a cidade possuía água encanada e transporte público através de bondes elétricos, o que no resto do país, à época, não era tão comum. (“Eles” não se preocuparam em guardar esse patrimônio histórico)

Nesta época, Manaus viveu o período áureo da borracha. Saúde pública, tratamento e pesquisa em medicina, artes, infraestrutura e monumentos com influência europeia eram referência para o resto do Brasil. A Universidade Federal do Amazonas (Escola Universitária Livre de Manaós), por exemplo, é considerada a primeira universidade do país.

Então surge a pergunta. Quando uma cidade possui forte poder econômico em relação as demais cidade do país, o que acontece? Resposta: migração e êxodo rural. Com Manaós não foi diferente. Resultado: a cidade cresceu de forma desordenada (parte I)

Chegou a hora de apagar as luzes. Como o governo brasileiro não ficou de olhos abertos para a ameaça da concorrência desleal da borracha asiática, “a casa caiu”. Grande depressão econômica da região.

A casa caiu. E agora Governo Militar? (1920-1967)
Como a borracha asiática era muito mais competitiva que a nossa. O período áureo da borracha acabou. Muitos empresários faliram, famílias abandonaram a capital do Amazonas em busca de dias melhores em outros locais. É possível constatar vários prédios antigos (que não viraram “inferninho”)  abandonados próximo ao porto de Manaus. Vá ao início da 7 de Setembro, próximo a antiga assembleia de Manaus. É triste, posso estar enganado, mas não existe uma política pública e notória que “eles” fizeram para manter esse patrimônio cultural vivo.

Durante esse período a cidade ficou decadente. Não havia dinheiro. De volta a velha Manaós. Tudo começou a desandar. Não tivemos mais investimento em obras de infraestrutura. No money? no honey. E qual foi a solução adotada pelo governo militar? Uma zona de livre comércio.

Zona de Livre Comércio (1967-dias atuais)
Para ocupar a região e evitar uma invasão dos nortes americanos, o governo militar criou em 1967 a atual Zona Franca de Manaus. Objetivo: Redução de Impostos sobre Produtos Industrializados, reduzir impostos sobre produtos importados e geração de emprego. Antes do governo do Collor, comprar em Manaus era certeza de produto bom e barato. Dinheiro rolando solto.

Estude sobre o projeto ORIGINAL sobre a ZFM. Quero deixar bem claro que não sou contra a ZFM, pelo contrário.

Manaus cresceu numa velocidade exorbitante. Várias empresas se hospedaram na capital. O interior do Amazonas, já desprovido de verba, ficou ainda mais pobre. Como “eles” nunca tiveram uma política pública de habitação. A festa rolou solta. A cidade cresceu de forma desordenada (parte II). Era caboclo (de todos os lugares) invadindo, desmatando área virgem em tudo quanto é canto ;). As empresas jogando seus lixos nos igarapés e o povo também. E o saneamento? (não sei)

A única política era do pão e circo. Depois da invasão, “eles” vinham, abraçavam e prometiam. O povo simples, acreditava e elegia.

Acredito que há uns vintes anos Manaus começou a se arrumar, em outras palavras, “eles” começaram a pensar mais em políticas públicas que, na minha humilde opinião, já são ultrapassadas para uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes.

Temos um grande problema com trânsito. Nossas vias são pequenas e gostamos de estacionar o carro em qualquer lugar, este tipo de comportamento resulta em engarrafamento. Não respeitamos leis de trânsito. Andamos na contra mão, mudamos de faixa sem ligar a seta, não damos passagem, furamos a fila. Isso é fato, é claro. Não tem como você saber quem está atrás do volante. Você não sabe se é um amazonense, paulista, cearense ou goiano. Sabe-se lá. O trânsito aqui é caótico, mas existem também outras cidades no Brasil com o mesmo problema, evidentemente.

O brasileiro de uma forma geral não respeita as leis de trânsito. Não acredita? Então, responda-me: quantas multas o Governo Federal teve que aplicar para que a lei do cinto de segurança fosse respeitada?

A solução para o trânsito manauara é aplicação de MULTA e muita propaganda no rádio e televisão para educar o povo. Não tem jeito.

Em 2007, estive em Joanesburgo, África do Sul, andei um pouco pela cidade de táxi e constatei vários outdoors com “respeite o trânsito” ou “trate bem os turistas, seremos sede da copa de 2010”, “não jogue lixo na rua”.  E aqui, na terra dos Manaós, o que “eles” têm feito?

Não falarei sobre a parte de segurança pública. Este post está ficando muito grande. É preciso mais investimento e melhor remuneração para os policiais.

Temos problemas com estradas. É muito difícil sair daqui para outro Estado de carro. Isso é uma política que “eles” nunca se preocuparam. Visitar os municípios do interior é uma opção interessante. No entanto, as estradas nem sempre permitem tal acesso. Vai de barco? Tudo bem, então fique na rede 3 dias e duas noites para visitar São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro, ou então, 18 horas para ir em Parintins.

É muito fácil mandar alguém morar na Europa ou EUA só porque o cidadão ganha dinheiro nesta cidade e comenta o que deve ser melhorado por aqui. Faça uma experiência, more por lá um tempo, precise de atendimento médico sem o plano médico de saúde (medical insurance). Veja em quantas horas você será atendido. Depois conte-me o resultado.

Manaus hoje é resultado de uma política que não leva muito a sério o interesse do coletivo. “eles”  podem tudo e você…?

Manaus, eu não te odeio. Eu odeio “eles” 

9 Comments

  1. Henry Henry

    Exatamente o que já conversamos várias vezes. Essa cidade está jogada. É uma terra sem lei, onde cada um faz o que quer.

  2. Um alemão amigo meu comentava que “,de vez em quando, gostava de ficar num lugar onde não precisava seguir as leis”.

    É mais comum ouvir reclamações do pessoal “de fora” porque eles vem de regiões onde tais problemas já foram resolvidos ou encaminhados a 15, 30 ou 50 anos atrás. Imaginem o susto desse imigrante quando, de repente, algo dado como certo ou relativamente eficaz (saneamento, energia, água, transporte) vira utopia!?!

    E o pior não é isso, o pior é descobrir que almejar tal utopia é um sacrilégio. Que o pobre sonhador corre o risco de ser apedrejado pelo simples fato de mencionar suas intenções.

    Concordo que parte do problema passa pelas autoridades políticas, que nunca tiveram nem nunca terão interesse direto pelo bem-estar público. Porém, a raiz disso tudo está no própria população da região que, além de eleger sempre os mesmos políticos, não tem coragem de se levantar e exigir aquilo que merece, aquilo que tem direito.

    PS: sou de fora também, resistindo bravamente a tentação de me tornar mais um conformado

    • Milton (e demais),

      Não sou conformado, tento desesperadamente influenciar as pessoas que estão pouco se lixando. O problema do “to nem aí” é a falta de uma boa educação e do bom senso de civilidade.

      Apesar de ter estudado bem no final do governo militar, ainda peguei uma disciplina que JAMAIS deveria ter sido excluída do currículo, não só amazonense, mas do Brasil.

      Educação Moral e Cívica. Que disciplina! Outras escolas que estudei era forçado a pensar, criticar e respeitar. Infelizmente, as escolas não ensinaram mais disso. Agora é decorar para passar. Por isso, o ENADE e o ENEM estão tentando mudar esse cenário.

      Além disso, temos outro problema. O modelo da Zona Franca de Manaus pecou em mais pontos (não sou contra a ZFM). Não tinha uma política de investimento, com as devidas exceções, em deixar o conhecimento no local.

      No início, as empresas vieram, pegaram a mão de obra local e despreparada, deram um treinamento básico, apenas ser apertador de parafuso e o principal; produção do conhecimento, capacitação de alto nível e melhores salários. Ficou para colegas de outros estados.

      Depois de um tempo isso mudou um pouco, mas não muito.

      Então, o que falta para sairmos dessa inércia? Resposta: Mais educação para que “eles” saiam daqui.

  3. Giselle Rocha Giselle Rocha

    EU gostei do post.Não sou amazonense, mas isso é o que menos importa agora.Eu escolhi Manaus para começar minha carreira profissional e então minha vida pessoal.E é nessa cidade que desde o primeiro ano, eu voto e observo.Já morei em três grandes cidades do NOrdeste(João Pessoa, Campina Grande e Recife) antes de Manaus. E em todas elas os problemas de infraestrutura são gritantes.E os mesmos problemas de politicos interessados em enriquecimento próprio e favorecimento de poucos. No entanto, Manaus tem uma peculiaridade. Os momentos de glória produziram uma elite manauara que se nega a compartilhar dos problemas sociais da cidade. Uma elite que faz compras ali, em “Maiami”, faz tratamento médico em São Paulo, passa as férias em “Nova Iorque”, e nas eleições vão aos confins do Amazonas tentar eleger seus representantes.Um deles que ficou de fora da casa do centro do poder faz suas artimanhas para voltar a comandar o estado e porque não dizer ser uma Voz do Brasil. Falo do Artur que no governo FHC em muitos momentos representou o mercado nas suas palavras neoliberais.Nas grandes crises do mundo afora, o pensamento neoliberal ruiu com suas grandes estratégias de livre mercado. E a cidade, por longos anos foi se transformando e inchando de pessoas humildes a procura de oportunidades (como eu). E o estado não se preparou pra isso tudo.Foram longos anos dos mesmos e coisas básicas como educação de trânsito não foi priorizada. E o que vemos são programas eleitores de distribuição de leite, bolsas, etc.
    2014 virou pra Manaus e Brasil o ano do fim, e os mais otimistas acreditam que no final tudo vai dar certo. Mas quem vai ensinar o povo a respeitar o sinal vermelho?? Quem vai ensinar o povo que respeitar a fila mesmo no trânsito é sinal de boa educação? Quem vai ensinar o povo a não usar vagas destinadas a pessoas com deficiência, idosos ou grávidas? Enfim, quem vai ensinar o povo que EDUCAÇÃO é prioridade. E no próximo ano dá uma lição nas urnas.

    • Oi Giselle,

      Obrigado pelo comentário.

      Há tempos que ligo para as rádios de Manaus para que eles possam fazer uma ação solidária simples na programação.

      3 segundos não deixará os empresários mais pobres. A ação é simples. “Respeite as leis de trânsito”. Mas até agora nada…

      Já conversei com colegas no escritório. Em breve teremos adesivos para carros do tipo:

      “Eu respeito as leis de trânsito”
      “Eu não jogo lixo nas ruas”
      “Eu respeito a faixa de pedestre”

      Vai que funciona, não custa tentar.

  4. asdasd asdasd

    a saude nos eua não é ruim, até cidade desoladas do interior tem hospitais decente. aqui você tem pessoas morrendo em filas de hospitais e ficando sem leito.

    • Olá

      Se você não tiver um seguro médico sua situação será bem complicada por lá também. Experiência própria.

  5. Sou carioca e moro em Manaus há três anos.Vim para cá à trabalho.Manaus é uma cidade esquecida pelas autoridades públicas. O transporte público é um lixo, parece que o ônibus está transportando animais, naquele sol desgraçado. O Trânsito é caótico sim, porque não há fiscalização, organização e orientação do DETRAN e muito menos envolvimento sério de outros Órgãos como Secretarias Municipais ou Estaduais de Infraestrutura, por exemplo. O povo, na maioria das vezes é estúpido, grosseiro e ignorante, por falta de instrução e talvez pela cultura indígena. Cito como exemplo os Atendimentos aos Consumidores,nas lojas e supermercados, que são péssimos nessa cidade. O calor é insuportável, na maioria dos meses do ano. Praticamente não há opções de lazer. A praia (de água salgada) mais próxima é na Venezuela. Enfim, o amazonense que vive aqui é um verdadeiro guerreiro ou….um sofredor, pois dizer que gosta dessa cidade é igual ao carioca que vive no Rio de Janeiro, em favela (o que nunca foi meu caso),e não quer sair dela, apesar do perigo da marginalidade),por não conhecer outras culturas, outros lugares, onde, com certeza se sentirá bem melhor. Realmente a classe rica da sociedade não está nem irá se importar nunca com vocês.Para eles só interessa a época de eleição. Parece um filme que eu vi há muito tempo atrás: A Cidade da Esperança (City f Toy) de 1991, onde o povo da Índia, sempre muito submisso deixava ser escravizado em troca de uma falsa proteção. Manaus parece muito com a Índia daquele filme. Reflitam !!!, só vocês Manauaras podem mudar essa terra !!!

    • Obrigado pelo feedback Alex.

      Compartilho sentimento semelhante ao teu.

      Manaus é a velha pronvíncia de Manaós nos dias atuais. Infelizmente os velhos coronéis morreram, mas deixaram netos e bisnetos…

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